Respostas às principais dúvidas sobre cirurgia refrativa, técnicas modernas, candidatos, custos e recuperação. Conteúdo educativo revisado pelo Dr. Bernardo Kaplan Moscovici (CRM-SP 120495 · Editor da Revista Brasileira de Oftalmologia).
Cada resposta abaixo é de caráter geral e educativo. A conduta específica para o seu caso depende de avaliação clínica individualizada. Se quiser aprofundar, agende uma consulta.
O valor da cirurgia refrativa em São Paulo varia conforme a técnica indicada (KLEX, FemtoLASIK, TransPRK, PRK), a complexidade do caso e a instituição onde a cirurgia é realizada.
O orçamento definitivo é fornecido após a consulta e os exames pré-operatórios, pois inclui o procedimento cirúrgico, o pré-operatório completo, o acompanhamento no primeiro ano e os retornos programados.
Como referência geral em 2026, o custo por olho pode variar entre R$ 4.500 e R$ 12.000, dependendo dos fatores citados.
São quatro técnicas de cirurgia refrativa a laser, cada uma indicada para perfis diferentes:
FemtoLASIK: cria um flap corneano com laser de femtossegundo e trata a córnea com laser excimer, com recuperação visual rápida.
TransPRK: cirurgia de superfície totalmente a laser, sem contato e sem flap, indicada para córneas mais finas ou perfis específicos, com recuperação mais gradual.
KLEX: técnica minimamente invasiva com extração de uma lentícula corneana, realizada por incisão pequena, sem criação de flap.
LASIK convencional (sem femtossegundo): usa microcerátomo para o flap — hoje pouco utilizado no consultório.
A escolha depende do grau, espessura corneana, estilo de vida e exames pré-operatórios.
A cirurgia refrativa é um procedimento oftalmológico consolidado, com décadas de estudo e centenas de publicações científicas revisadas por pares.
Como todo procedimento médico, tem riscos — que são individualizados, discutidos integralmente na consulta pré-operatória e minimizados por meio de exames adequados, técnica correta para o caso e acompanhamento rigoroso.
Segurança começa com critério na indicação.
A candidatura é avaliada em consulta com exames complementares. Fatores considerados:
• Idade (geralmente 21 anos ou mais)
• Grau estabilizado nos últimos 12–24 meses
• Saúde ocular geral (ausência de doenças corneanas ativas como ceratocone)
• Espessura e topografia corneana adequadas
• Saúde sistêmica compatível (algumas doenças autoimunes ou uso de determinados medicamentos podem contraindicar)
Nem todo míope, hipermétrope ou astigmata é candidato — e essa avaliação é individualizada.
Não existe grau mínimo absoluto — o critério é o incomodo real que o grau causa no dia a dia. Muitos pacientes com grau baixo (0,75 a 1,5) já têm indicação, especialmente com dependência importante de óculos ou lentes.
Também não existe um limite superior rígido: técnicas modernas tratam graus altos, embora casos limítrofes possam ser mais bem atendidos por lente intraocular (lente fácica ou refrativa) do que por laser.
Idade mínima: geralmente 21 anos, quando o grau está tipicamente estabilizado.
Idade máxima: não existe limite rígido. Pacientes de 50, 60 anos podem ser candidatos, embora após certa idade a cirurgia de catarata com lente intraocular refrativa (que trata catarata e grau simultaneamente) possa ser opção mais adequada.
Sim, ceratocone ativo é contraindicação para cirurgia refrativa a laser convencional, porque enfraquece ainda mais uma córnea já alterada.
Existem outras estratégias para portadores de ceratocone — crosslinking (para estabilizar), anel intraestromal (para corrigir irregularidade), lentes esclerais — que são avaliadas caso a caso.
Pacientes com suspeita de ceratocone precisam de avaliação especializada antes de qualquer decisão.
Durante o procedimento, com uso de anestesia com colírio, a paciente geralmente sente pouca ou nenhuma dor — pode perceber pressão, toque ou luz forte.
O desconforto pós-operatório varia por técnica:
• FemtoLASIK e KLEX: leve e curto (24–48h)
• TransPRK e PRK: os primeiros 3 a 5 dias podem ter mais desconforto (sensação de areia, sensibilidade à luz), controlado com colírios e analgésicos.
FemtoLASIK e KLEX: a maioria dos pacientes retorna às atividades leves em 24–72 horas, com melhora visual rápida — a estabilização final ocorre em semanas.
TransPRK e PRK: a recuperação inicial usa lente de contato terapêutica por 3–5 dias, com melhora visual gradual ao longo de semanas a meses.
A recuperação completa e o retorno a atividades intensas seguem cronograma individual, discutido em consulta.
Depende da técnica e da natureza do trabalho.
FemtoLASIK e KLEX: muitos pacientes retornam a trabalho de escritório em 2–3 dias.
TransPRK e PRK: o retorno costuma ser de 5–7 dias, aguardando a fase mais desconfortável passar.
Trabalhos em ambientes com poeira, exposição solar intensa, esforço físico ou uso de máscara/máquina exigem cronograma específico.
Sim, é o padrão atual: os dois olhos são operados no mesmo dia, geralmente com poucos minutos de intervalo.
Isso otimiza a recuperação binocular e permite retorno mais rápido às atividades. Situações específicas podem levar à opção por operar em dias diferentes — mas são exceções.
A cirurgia refrativa corrige o grau presente no momento do procedimento — não impede que ocorram novas mudanças naturais ao longo dos anos.
Uma pequena regressão pode ocorrer em uma minoria dos casos e, quando significativa, é passível de retoque em muitos deles.
Após os 40–45 anos, é natural o surgimento da presbiopia (vista cansada), que é uma condição distinta do grau original e afeta todas as pessoas, mesmo quem não fez cirurgia refrativa.
A correção do grau presente é permanente. Porém, os olhos continuam envelhecendo naturalmente.
Após os 40 anos surge a presbiopia (dificuldade de foco perto), que pode exigir óculos para leitura mesmo em pacientes previamente operados. Após os 60–70 anos pode surgir catarata, também tratável cirurgicamente.
Por isso a cirurgia refrativa reduz sua dependência dos óculos, mas o acompanhamento oftalmológico ao longo da vida segue essencial.
Existem técnicas de laser específicas para presbiopia (Laser para Presbiopia, PresbyLASIK, perfis multifocais) que buscam reduzir a dependência de óculos para perto.
A escolha entre laser e lente intraocular refrativa depende da idade, do grau, das expectativas e da tolerância a compromissos visuais (leve redução de contraste, halos). Discutido caso a caso.
Os exames pré-operatórios variam por caso, mas geralmente incluem:
• Topografia corneana
• Tomografia de córnea (mapa da forma e espessura)
• Aberrometria
• Biometria ocular
• Mapeamento de retina
• Medida da pressão intraocular
• Avaliação do filme lacrimal
• Refração dinâmica
Também é feita avaliação clínica detalhada. Esse conjunto define candidatura, técnica indicada e planejamento cirúrgico.
A cirurgia refrativa não é considerada procedimento estético e, em graus mais altos ou situações específicas, pode ter cobertura por convênio conforme rol da ANS.
A cobertura efetiva depende do plano contratado, do grau apresentado e da carência. No consultório, o atendimento é particular — mas oriento sobre a possibilidade de reembolso quando aplicável.
Estas respostas são orientações gerais. Para avaliar seu caso individual — grau, técnica indicada, exames, cronograma —, a consulta presencial é o caminho.
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