O autoenxerto conjuntival é hoje o padrão moderno para cirurgia de pterígio. Trocou-se a antiga "cirurgia nua" (apenas remover o pterígio) por uma abordagem que reduz drasticamente a recidiva. Este texto explica o porquê e como o procedimento é feito.

O problema da antiga "cirurgia nua"

Nas décadas passadas, o pterígio era simplesmente removido e a esclera exposta cicatrizava sozinha. Resultado: taxa de recidiva altíssima, chegando a 40-60% em muitas séries. Ou seja, quase metade dos pacientes viam o pterígio voltar.

A solução moderna: autoenxerto conjuntival

Depois de remover o pterígio, o espaço deixado na conjuntiva é coberto com um pequeno enxerto de conjuntiva sadia do próprio paciente (retirada geralmente da região superior do mesmo olho ou do olho contralateral).

Por que funciona: o tecido conjuntival sadio recobre a área e "protege" a esclera do gatilho que faz o pterígio voltar. As séries modernas mostram taxa de recidiva na faixa de 2-10% em muitos estudos — enorme melhora em relação à cirurgia nua.

Como o enxerto é fixado

Duas opções principais:

A escolha entre pontos e cola depende do caso e da preferência do cirurgião. Ambos têm bons resultados quando bem executados.

Técnica Air Bubble · Dissecção de Moscovici

Técnica cirúrgica desenvolvida e validada em ambiente acadêmico pelo Dr. Bernardo Moscovici, que utiliza uma bolha de ar para auxiliar na dissecção precisa do plano entre o pterígio e a esclera. O método foi descrito e apresentado em publicações científicas (European Journal of Ophthalmology e outras) e em congressos nacionais e internacionais de oftalmologia.

Pode ser combinada com o autoenxerto conjuntival — a combinação busca precisão intraoperatória. O autoenxerto conjuntival é a medida mais consistentemente associada à redução de recidiva na literatura.

Coordenação acadêmica em pterígio

Dr. Bernardo Kaplan Moscovici é coordenador do Curso de Cirurgia de Pterígio nos Congressos Mundial e Europeu de Oftalmologia, além de autor de capítulos de livros sobre o tema. É uma das referências acadêmicas nacionais no assunto.

Como o procedimento acontece na prática

  1. Anestesia local (colírios anestésicos + eventual injeção subconjuntival);
  2. Delimitação do pterígio e do plano de dissecção;
  3. Remoção do pterígio (potencialmente com a técnica Air Bubble para dissecção precisa);
  4. Retirada de um pequeno enxerto conjuntival de área doadora (geralmente superior);
  5. Colocação e fixação do enxerto no leito onde estava o pterígio;
  6. Curativo oclusivo e orientações;
  7. Retornos periódicos para acompanhamento.

Pós-operatório

Fatores que ainda podem levar à recidiva

Mesmo com técnica moderna, alguns fatores aumentam risco de recidiva:

Por isso a proteção UV vitalícia é parte essencial do tratamento — não apenas nos meses pós-operatório.

Perguntas frequentes

A cirurgia dá cicatriz visível?

O enxerto integra na conjuntiva ao longo de semanas e o aspecto estético melhora progressivamente. Em técnicas modernas com cola biológica, o resultado costuma ser satisfatório.

Quanto tempo dura a cirurgia?

Geralmente 30-60 minutos, ambulatorial, com anestesia local.

Preciso retirar pontos?

Se for feita com cola biológica, não. Se com sutura absorvível, também não — os pontos se dissolvem sozinhos.

Se recidivar, posso operar de novo?

Sim, mas cirurgia de pterígio recidivado é mais complexa e envolve técnicas específicas (enxerto de membrana amniótica em alguns casos, mitomicina C em outros — decisão individualizada).

Ver também

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo, em conformidade com a Resolução CFM nº 2.336/2023 e o Código de Ética Médica. Não substitui a avaliação individual com médico oftalmologista. A indicação de qualquer procedimento depende de exame clínico completo e análise dos exames complementares. Todo procedimento médico envolve riscos que serão integralmente esclarecidos em consulta.
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