A TransPRK (Trans-Photorefractive Keratectomy) é uma variante moderna da PRK. Diferente das técnicas em que o cirurgião remove manualmente o epitélio corneano com espátula ou álcool, aqui o próprio laser faz tudo: remoção do epitélio e ablação refrativa. Não há flap. Não há contato manual com a córnea.
Para quem a TransPRK é indicada
Costuma ser considerada especialmente em:
- Pacientes com menor espessura corneana, desde que a tomografia, a biomecânica corneana, a distribuição paquimétrica e o cálculo de tecido residual sejam adequados;
- Achados topográficos suspeitos de ectasia ou ceratocone podem contraindicar qualquer procedimento refrativo corneano — a decisão é sempre individualizada;
- Praticantes de esportes com alto risco de trauma ocular (boxe, artes marciais), pela ausência de flap;
- Casos em que técnicas sem flap são preferíveis por perfil ocupacional (algumas atividades específicas).
Como o procedimento acontece
- Colírio anestésico é aplicado;
- O laser excimer remove o epitélio (a camada mais superficial da córnea) — sem contato manual, sem álcool, sem espátula;
- Em sequência, o mesmo laser faz a ablação refrativa, remodelando a córnea segundo o plano individualizado;
- Uma lente de contato terapêutica é colocada ao final para conforto durante a cicatrização epitelial.
Recuperação habitual
Diferente das técnicas com flap, a TransPRK exige que o epitélio se regenere sozinho — o que leva alguns dias. A recuperação visual costuma ser mais gradual:
- Primeiros 3 a 5 dias: sensibilidade à luz, lacrimejamento, visão flutuante;
- 1ª semana: melhora significativa após a cicatrização epitelial;
- 1º mês: estabilização progressiva;
- 3 a 6 meses: consolidação da visão final.
Durante o pós-operatório, é fundamental o uso rigoroso dos colírios prescritos, incluindo lubrificantes, anti-inflamatórios e, em alguns casos, analgésicos.
Vantagens frequentemente citadas
- Sem flap corneano — elimina totalmente riscos associados ao flap;
- Sem contato manual com a superfície corneana durante o procedimento;
- Opção em casos em que outras técnicas com flap não seriam apropriadas.
Riscos e cuidados
- Desconforto pós-operatório maior nos primeiros dias, comparado ao FemtoLASIK;
- Recuperação visual mais lenta (típico das técnicas de superfície);
- Risco de haze (leve opacidade corneana transitória), reduzido com colírios adequados;
- Necessidade de retoque em casos específicos.
Todos esses pontos são discutidos em detalhe em consulta pré-operatória.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre PRK e TransPRK?
Na PRK convencional, o epitélio é removido manualmente (com espátula ou álcool). Na TransPRK, o próprio laser remove o epitélio. É a versão 'sem toque'.
Dói fazer TransPRK?
Durante o procedimento não. No pós-operatório dos primeiros dias, é comum haver desconforto, ardor, lacrimejamento e sensibilidade à luz — controlados com medicações e colírios prescritos.
Por que a recuperação é mais lenta que o FemtoLASIK?
Porque o epitélio precisa regenerar naturalmente. Nas técnicas com flap, a superfície da córnea é rapidamente 'reselada' após o reposicionamento do flap.
A TransPRK dá resultado equivalente ao LASIK?
Estudos mostram resultados finais comparáveis nas indicações apropriadas para cada técnica. A escolha depende do perfil corneano, ocupacional e das preferências do paciente.
Ver também
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo, em conformidade com a Resolução CFM nº 2.336/2023 e o Código de Ética Médica. Não substitui a avaliação individual com médico oftalmologista. A indicação de qualquer procedimento depende de exame clínico completo e análise dos exames complementares. Todo procedimento médico envolve riscos que serão integralmente esclarecidos em consulta.