Monofocal, tórica, multifocal, EDOF, trifocal — cada tipo de lente intraocular tem suas indicações. Guia prático para entender as diferenças antes da consulta.
Uma das decisões mais importantes na cirurgia de catarata é a escolha da lente intraocular (LIO) — aquela que fica dentro do olho para o resto da vida. A escolha impacta diretamente sua qualidade visual e o quanto você vai depender de óculos.
Este texto explica as principais categorias de forma didática.
Corrige a visão em uma única distância — geralmente calibrada para longe. Para perto, o paciente usa óculos.
Vantagens: melhor qualidade óptica geral, menos halos noturnos, mais previsível, custo mais acessível.
Considerações: você continua usando óculos para leitura.
Boa opção para: pacientes que já usam óculos e aceitam bem, priorizam qualidade óptica pura, dirigem muito à noite, ou têm outras condições oculares (retina, glaucoma) que se beneficiam de simplicidade.
Corrige astigmatismo corneano além do grau esférico. Pode ser tórica monofocal ou tórica multifocal.
Vantagens: reduz muito a necessidade de óculos em pacientes com astigmatismo significativo.
Considerações: exige medidas precisas do eixo do astigmatismo e posicionamento correto durante a cirurgia. Alinhamento é chave.
Boa opção para: pacientes com astigmatismo corneano moderado a alto.
Permite visão em múltiplas distâncias (longe, intermediário, perto). Difração da luz cria diferentes pontos focais.
Vantagens: máxima redução da dependência de óculos.
Considerações:
Boa opção para: pacientes com forte desejo de eliminar óculos, tolerantes a fenômenos ópticos, sem doenças de retina que exijam alta qualidade de contraste.
Estende a profundidade de foco sem criar múltiplos pontos focais nítidos. É um compromisso entre qualidade óptica e menor dependência de óculos.
Vantagens:
Considerações: para leitura muito próxima, alguns pacientes ainda usam óculos.
Boa opção para: pacientes que priorizam qualidade óptica próxima à monofocal mas querem menos óculos, muito uso de telas e computador, ou receio de fenômenos ópticos.
Fatores que analiso em consulta:
Cada categoria tem indicações. Não escolha só pelo custo, nem só pelo apelo comercial. A "melhor lente" é a que se adapta ao seu perfil e às suas expectativas realistas.
Não. Alguns pacientes têm baixa tolerância a fenômenos ópticos, doenças de retina, personalidade muito perfeccionista com qualidade visual, ou expectativas irreais. Nesses casos, monofocais ou EDOF são melhores.
Sim, em situações específicas a lente pode ser explantada e substituída. Mas é uma cirurgia adicional com seus próprios riscos. A escolha inicial cuidadosa evita isso.
Não é 'melhor' — é diferente. EDOF prioriza qualidade óptica e menos halos. Multifocal/trifocal prioriza independência de óculos. A escolha depende do que você valoriza mais.
A cirurgia de catarata em si é coberta por convênio ou SUS, mas lentes premium (tóricas, multifocais, EDOF) geralmente têm custo adicional particular. Verifique com seu convênio antes.
Uma consulta individualizada é a melhor forma de esclarecer sua situação específica.
Ver opções de agendamento →